segunda-feira, janeiro 30, 2006

CARTA DE APELO

A nossa amiga Armatos do P&B sugeriu, e muito bem, que formalizassemos uma carta expondo o problema da infertilidade e todas dificuldades inerentes. Pois bem, a Zanita, outra companheira de luta, voluntariou-se para avançar com a redação da carta. Ainda não está pronta, mas aqui fica um draft da nossa proposta. Gostaríamos de contar com o contributo de todos, não só na sua elaboração, mas também na sua subscrição.

Para as companheiras de luta, gostaríamos de pedir que indicassem a seguinte informação e que a enviassem à Zanita(baustelle.lissabon@mail.telepac.pt) ou que a afixassem aqui:

- Nome completo
- Nº BI
- Data de nascimento
- Anos de luta
- Diagnóstico
- Hospitais/ Clínicas consultadas
- Tratamentos

Pensamos que esta sistematização facilitará a compreensão para quem nunca "olhou" para estas questões.

Relativamente aos testemunhos a incluir, somos da opinião que deverão constar as situações mais problemáticas, não só pelo anos de luta, mas também pelos tratamentos envolvidos. Não estamos com isto a minimizar o problema de quem é recente nestas lides.

Para a subscrição desta carta, deverão enviar a lista dos subscritores para o email da Zanita (baustelle.lissabon@mail.telepac.pt), indicando

- Nome completo
- Nº BI
- Localidade

Todos os aderentes que conseguirmos serão importantes.

Estamos a pensar dirigir a carta ao Presidente da República, ao 1º Ministro, ao Ministro da Saúde, aos partidos políticos, à comunicação social e a quem mais acharem pertinente.

Aqui fica a última revisão da carta:

Exmos. Senhores,

Somos um grupo de cidadãos que se uniu para escrever esta carta com o intuito de os sensibilizar para o grave problema da infertilidade e para as grandes dificuldades com que nos confrontamos diariamente para o combater. Gostaríamos de alguns minutos da vossa atenção e apelamos à vossa ajuda como governantes e, acima de tudo, como pais.
Como é do conhecimento de todos, a infertilidade é reconhecida como um processo de doença e define-se como a incapacidade de um casal conseguir uma gravidez após um período de um ano de relações sexuais desprotegidas e regulares.
Em Portugal, calcula-se que cerca de 500.000 casais sofram de infertilidade e que 12.000 novos casais por ano tenham problemas de reprodução.

De facto, o número de problemas relacionados com a esfera da fecundidade encontra-se em ascensão.
Ninguém espera ser infértil e, para todos os casais, não conseguir conceber um filho é uma hipótese que não se coloca quando se pensa em constituir uma família. Todos desejamos de algum modo prolongar a nossa existência em algo ou alguém que nos ligue à história que não viveremos. Ter filhos é parte desse “destino de imortalidade” inscrito na vida humana.
Infelizmente, conhecemos o profundo sofrimento que a infertilidade pode causar. A ferida que gera pode atingir um grau insustentável de angústia. É o eu enquanto elo da cadeia humana que fica em causa.
Ainda assim, como sociedade, estamos lamentavelmente mal informados sobre como dar o melhor apoio às pessoas que, como nós, vivem de forma intensa o problema da infertilidade. É uma luta muito dolorosa que nos corrói de forma angustiante. A dor é parecida com o luto sentido pela perda de um ente querido, mas é única porque é um luto recorrente.
Os casais inférteis ficam de luto pela perda de um bebé que eles podem nunca chegar a conhecer. Mas a cada mês, há a esperança de que talvez esse bebé tenha sido concebido finalmente. Não importa o quanto nos tentemos preparar para as más notícias, interiormente esperamos que este mês seja diferente. Então, as más notícias chegam novamente, e o luto cobre o casal infértil mais uma vez. Este processo acontece mês após mês, ano após ano. É como ter um corte profundo que se abre novamente mesmo quando começava a cicatrizar.
Quando o casal decide seguir em frente com os tratamentos para infertilidade, sujeita-se a um processo muito moroso e dispendioso. Os casais que queiram ser atendidos num dos seis hospitais públicos que realizam tratamentos contra a doença têm de esperar pelo menos dois anos, o que pode agravar ainda mais o problema. Caso queiram ser tratados em clínicas privadas, deparam-se com preços na ordem dos cinco mil euros por ciclo de tratamento e, mesmo que sejam tratados no SNS, têm de pagar os medicamentos, que custam cerca de mil euros por tratamento.
É por esta razão que reiteramos a necessidade de investimentos governamentais no combate a esta doença que, estima-se, afecta cerca de 500.000 casais no país. É imperativo que se crie legislação sobre as técnicas de procriação medicamente assistida e condições de acesso, a necessidade de determinar que tecnologias devem ser incluídas no sistema de saúde, já que a infertilidade é uma doença para o casal, logo uma questão de protecção da saúde.
Sentimos uma tristeza profunda quando somos confrontados com notícias de que certas seguradoras cobrem uma operação de mudança de sexo, mas não um tratamento contra a infertilidade, talvez por considerem que ter um fiho é um luxo e não uma doença.
Concordamos que existam apoios para a toxicodepência e para a SIDA, onde tudo, desde a medicação aos tratamentos, é comparticipado pelo Estado, mas questionamo-nos sobre a razão pela qual a nossa doença não merecer a mesma atenção pelos responsáveis do nosso país. Trata-se de um problema de saúde pública, cuja tendência é notoriamente crescente, mas que infelizmente, continua na gaveta. Não é uma doença que mata ou incapacita, mas que nos consome interiormente.
Já nesta legislatura, foi aprovada a livre utilização da pílula abortiva, talvez por considerarem tratar-se de um assunto politicamente rentável. Não estamos com isto a dizer que nos opomos a que facilitem o seu acesso, no entanto, expressamos a nossa profunda tristeza por não olharem para a nossa causa como uma prioridade.
Quando se fala tanto que a população portuguesa está envelhecida, que a taxa de natalidade é baixa, porque não ajudar quem realmente quer ter um filho? Fala-se na criação de condições para se fazerem abortos, então e a infertilidade?
É por isso que colocamos esta questão, porque é que deverá ser gratuito abortar e tão caro ter filhos?
Será que um problema desta dimensão ainda não chegou à consciência dos politícos do nosso país ? Está na altura de fazerem qualquer coisa pelas mulheres e homens que travam esta luta desigual.
Conforme se demonstra nas tabelas em anexo, os preços praticados pelos serviços e a medicação que necessitamos são excessivos, comparando com os salários auferidos pelos Portugueses, o que condiciona a maioria dos casais ao tempo de espera em instituições públicas ou aceitação da sua condição. Muitos casais não podem suportar as despesas dos medicamentos, mesmo que acompanhados em hospitais públicos. As listas de espera existentes retardam o processo de tratamento, o que pode ser prejudicial para muitos casais visto o factor idade pesar na taxa de sucesso.

Uma solução que nos parece viável seria, por exemplo, como acontece com outras especialidades, o Estado recorrer ás clinícas privadas por forma a reduzir as listas de espera e aumentar a esperança de muitos casais que desejam constituir família.
Para finalizar, gostaríamos de referir que os problemas conjugais podem surgir com os problemas de infertilidade. Se um dos dois for o "causador" do problema, surgem muitas vezes os sentimentos de culpa e as acusações da outra parte, que levam muitas vezes ao divórcio. Muitos casais não conseguem ultrapassar esta tensão sempre presente no seu di-a-dia.
Afixamos alguns testemunhos que os ajudarão a perceber o quanto é difícil a luta por um filho


Gostaríamos de contar com todos.

21 Comments:

Anonymous Xu said...

Admiro demais a minha esposa, pela força que tem nesta luta e pelo apoio que me dá. E sei que muitas vezes encontra aqui um carinho e compreensão diferente do que eu consiga dar. Um beijo para ti amor e um obrigado especial a todas vós.

10:39 da tarde, janeiro 30, 2006  
Blogger Bunny said...

Agora fiquei boquiaberta...
Vim aqui dizer que já tinha enviado os meus dados para a carta de apelo e deparo-me com uma mensagem do meu Xu...
Obrigada a todas pelo vosso carinho e por tudo o que têm sido para mim!
Adoro-vos a cada uma de vós!

7:36 da manhã, janeiro 31, 2006  
Blogger Musa said...

Acho que está demais!
Os meus dados já lá estão mas podem contar comigo para tudo o mais que necessitem...
Beijinhos para todas nós, que somos o máximo!
Musa

10:01 da manhã, janeiro 31, 2006  
Blogger Alexandra said...

Amigas,

Tb acho q apenas devem constar os testemunhos mais dramáticos. Sintam-se à vontade para eliminar o meu, a sério que não me importo...

Beijinhos
Alexandra

10:26 da manhã, janeiro 31, 2006  
Blogger Nany said...

Só agora me apercebi realmente da carta porque no P&B não conseguia ler tudo.
Vou mandar um mail e esperar não ser tarde para ser incluída.
Gracias e bejocas

12:29 da tarde, janeiro 31, 2006  
Anonymous Anónimo said...

força meninas espero que muitas mais venham a aderir a nossa carta, ja reuni algumas assinaturas mas vou enviar p a zanita por mail assim ela as colocara la, um grande beijos e obg por todas abraçarem esta nobre causa armatos

12:40 da tarde, janeiro 31, 2006  
Blogger Bunny said...

Vou abusar deste nosso espaço e fazer propaganda:
Próximo Sábado – Encontro de Babes do PinkBlue
Local: Vasco da Gama
Hora: 14.00
Inscrições abertas no blog da Bunny :))))))
http://piolhinhobunny.blogspot.com
PS: Espero que não tenham ficado aborrecidas pq o Xu deixou aqui um comentário…
Beijinhos com ternura

3:11 da tarde, janeiro 31, 2006  
Anonymous CNeves said...

Mais uma vez volto a dizer que achei a ideia brilhante e também eu já enviei os meus dados para a Zanita. Em relação ao Xu, só tenho a dizer obrigada por participar. É sempre bom saber que os maridos estão do nosso lado. E tu Bunny tiveste uma boa surpresa. Um beijo grande para todas vocês minhas queridas.

5:24 da tarde, janeiro 31, 2006  
Anonymous Anónimo said...

Primeiro queria aqui deixar o que me ocorreu ao ler isto: "Relativamente aos testemunhos a incluir, somos da opinião que deverão constar as situações mais problemáticas, não só pelo anos de luta, mas também pelos tratamentos envolvidos. Não estamos com isto a minimizar o problema de quem é recente nestas lides...."

Já pensaram que na maioria dos casos, os tratamentos envolvidos em determinado período estão super condicionados pelo factor monetário??
E que nos custa muito mais aquando da descoberta que somos inferteis, do que ao fim de algum tempo de luta??

Eu tento engravidar, não tarda, à 4 anos, no entanto ainda só fiz uma ICSI. Porquê?? Porque até lá chegar percorri um longo caminho de exames, análises, ecos... e mais sei lá o quê. Para fazer esse tratamento devo dizer-vos que 8.000€ não chegaram. Quando volto a fazer outro ttt, não sei!! Não há carteira que aguente!!
Porque não vou para um hospital público?? Porque a cada tentativa em outro hospital/clinica terá de ser feito um exame muito delicado e doloroso, que não pode ser feito, ou não deve, mais do que 1 vez por ano...

Irei subscrever a carta concerteza, e espero muito sinceramente que consiga chegar aos politicos que mandam neste país.

Lena

6:21 da tarde, janeiro 31, 2006  
Blogger Bem Me Queres said...

Fico mt contente por ver que esta ideia da carta está a ter uma grande adesão. Todos unidos teremos voz que talvez se faça ouvir.
Lena, qd nos referimos aos casos mais “dramáticos” estamos tb a falar dos custos. Pedimos desculpa se nos expressamos mal. Todos os dados serão considerados na sistematização. Deveríamos ter inluido o ponto dos “Custos com tratamentos”. Pretendemos complementar esta informação com alguns testemunhos mais detalhados.
Bunny, minha sortuda, isso é que foi uma linda surpresa :))
Bjs doces
Cláudia

10:07 da tarde, janeiro 31, 2006  
Blogger HOPE said...

Podem contar comigo para subscrever a carta. Até quando posso enviar os meus dados?
Um grande beijo :)

11:01 da tarde, janeiro 31, 2006  
Anonymous Anónimo said...

Olá Cláudia

Talvez me tenha expressado mal, ou talvez não, o certo é que, como disse, neste momento já estou acostumada com determinadas situações.
O que quiz dizer é que para todas nós, quer admitamos ou não, e especialmente no inicio a nossa situação é sem sombra de dúvidas a "mais dramática do mundo"!! Percebes??
No entanto ao fim de alguns anos nestas andanças já conseguimos ver que há situações muito mais complicadas e dramáticas que a nossa.
Espero não ter sido mal interpretada, não foi essa a minha intenção.

Lena

3:55 da tarde, fevereiro 01, 2006  
Anonymous Anónimo said...

A carta está perfeita. Julgo, apenas, que dereiam acrescentar que o problema da Infertilidade é tb um problema social, que afecta um nº significativo de homens e de mulheres activos que se pretender ser cidadão responsáveis e trabalhadores competentes, sabendo que o problema em causa condiciona inevitavelmente quem dele padece.
Concordo com a CV, acho que se devia ser mais minucioso o custo dos ttt´s feitos no público e no privado.
A Lena levantou outra questão importante: quantos casais vivem a dor em silêncio durante anos, pq são obrigados protelar o desejo de serem pais devido ao facto de não terem condições monetárias para fazer um ttt?
Admite-se que um casal esteja quase 1 ano à espera de uma 1º consulta num hospital público?
Um processo que leva 5 anos até se chegar ao 1º ttt condiciona até as precentagens de sucesso desse mesmo ttt!
Vejamos uma jovem com 25 anos inicia o seu processo, num hostipal público, só aos 30 fará o seu primeiro ttt para ter o filho tão desejado e já tão amado!
Desculpem, mas fico sempre emocionada e revoltada cada vez que falo nisto!
Beijos a todas
Diva

4:30 da tarde, fevereiro 01, 2006  
Blogger Nélinha said...

Olá,

Correndo o risco de a carta se transformar em testamento, que tal tb não se deixar esquecido a quantidade de casais que um dos membros do casal foi diagnosticada a esterilidade se veja confrontado com a recusa do estado em trata-los ou então ter que recorrer ao privado, coisa que nem todos conseguem, uma vez que fazer tais tratamentos é algo dispendioso.

Estes casais são os unicos, neste momento, para os quais o estado fecha literalmente a porta, o fazem no privado ou não fazem.

Pensem nisso

10:38 da manhã, fevereiro 02, 2006  
Blogger Summer said...

Vou enviar os meus dados.

Gostava apenas de sugerir que cada uma de nós passe a carta por familiares e amigos que também a podem assinar.

Afinal de contas alguns dos nossos familiares e amigos acabam por "sofrer" conosco e quanto mais assinarem maior será o impacto.

9:35 da manhã, fevereiro 05, 2006  
Blogger kika said...

ola!
tambem vou enviar os meus dados.concordo com a summer .
bjs

7:12 da tarde, fevereiro 05, 2006  
Blogger Luna said...

força amigas, vossa luta dé frutos,admiro-as mto
beijocas
Luna

5:11 da tarde, fevereiro 06, 2006  
Blogger Clara Sonhadora said...

É uma ideia genial!

Eu ainda não tenho nenhum diagnóstico para poder expor,estou a começar a dar os primeiros passos nesse sentido.

Se der para colocar apenas o nome, como amiga de quem já sofre, por favor digam que eu assino de imediato.
Esta luta é muito desigual e não se vê nada a ser feito para suavizar a vida de tantos casais, no que quer que seja: em listas de espera, no aconselhamento/esclarecimento.

Um bem haja ao/à autor/a da iniciativa.

1:01 da tarde, fevereiro 07, 2006  
Blogger soniaq said...

Já está!!!
Ainda bem que não desistem, dão-me força para continuar a acreditar, bem-hajam!
sona(fórum clix)

8:35 da tarde, fevereiro 15, 2006  
Blogger sandra peixeiro said...

ja enviei tb os meus dados, espero k isto faça com que vejam o nosso problema com outros olhos.
Boa sorte para todas

3:41 da tarde, fevereiro 21, 2006  
Blogger sandra peixeiro said...

ja enviei tb os meus dados, espero k isto faça com que vejam o nosso problema com outros olhos.
Boa sorte para todas

3:41 da tarde, fevereiro 21, 2006  

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