sábado, fevereiro 11, 2006

REPORTAGEM DO JORNAL EXPRESSO

Amigos leitores,

Hoje foi dado mais um importante passo na nossa caminhada com a publicação da reportagem "O SONHO QUE COMANDA A VIDA", na revista "Única", do jornal Expresso.
Que este seja o princípio de uma consciencialização nacional de um problema que toca a todos.


«Hoje fui fazer outra eco para ver como estava o meu 'forninho'. Os ovários estão óptimos, o endométrio é que já devia estar mais fino. Devia ter 4 mm e está com 4,4 mm, o que quer dizer que só começo as injecções no dia 7...»

O «post» colocado por Elsa Ferreira no seu blogue, a 31 de Janeiro, parece cifrado em linguagem clínica, mas quem como ela sofre de infertilidade, e lhe lê os desabafos em sonhosermama.blogspot.pt, percebe cada palavra e em cada uma identifica a tensão, o medo, a esperança com que esta mulher de 34 anos inicia mais um tratamento de Procriação Medicamente Assistida (PMA).

Elsa integra o lote de 10 a 15% de portugueses em idade fértil que não conseguem filhos naturalmente. São cerca de 500 mil casais que regem a vida conjugal, o corpo, a mente, a conta bancária em função do passo seguinte que lhes poderá dar o desejado filho. No caso de Elsa é a sua segunda Fertilização In Vitro (FIV) em quatro meses, o sexto tratamento desde Agosto de 2002, altura em que lhe foi diagnosticada uma hiperplasia e traçada a dependência de uma futura gravidez de ajuda médica. Em caso de resultado negativo, será também a última durante os tempos mais próximos.


Versão integral na edição nº 1737

19 Comments:

Blogger As amigas said...

Já enviei uma informação ao Expresso a informar da incorrecção na data do Mega Encontro Nacional.

6:42 da tarde, fevereiro 11, 2006  
Blogger Guida said...

Embora n saiba o k é sentir a vossa dor, apoio a vossa causa,já assinei a petição.Jinhs de Dishti e Tiago.

10:03 da tarde, fevereiro 11, 2006  
Anonymous Anónimo said...

vamos continuar a nossa luta este foi apenas uma pequena frecha q se abriu na janela bjs a todas e força amigas armatos

12:37 da manhã, fevereiro 12, 2006  
Blogger mimi said...

Olá! Eu gostava de me increver no almoço em Leiria. Será que me podes dar mais informações como fazê-lo. Obrigado.
Beijoquinhas fofas

9:52 da tarde, fevereiro 12, 2006  
Blogger Tânia said...

é bom ver iniciativas como a vossa.

Obrigada, porque as vossas acções também são a meu favor.

Beijinhos

1:53 da tarde, fevereiro 13, 2006  
Blogger Cristina said...

Olá a todas/os :))

Quero juntar-me a vocês em espírito e energia positiva. Não desistam nunca!!! Só nós sabemos o sofrimento que nos atravessa o coração a cada dia que passa, cada dia que passa sem a benção esperada é mais uma farpa num coração dilacerado e magoado, mas ainda e como nunca cheio de amor!...Vamos buscar forças aonde não sabemos que ainda existiam. Partilhamos essa força umas com as outras, muitas vezes quando nós próprias precisamos ainda mais dessa força!Mas a palavra desistir não é comum no nosso vocabulário, aprendi e constatei isso pelas minhas viagens em blogs e sites que abordam este tema. Por isso quero aqui deixar o meu contributo, a minha idéia e mais que tudo: a minha força para que se una á vossa, para que se torne tão grande que um dia abrace todas as mulheres que sonham em ser mães num abraço de felicidade e sorte!!
Só quem passa por isto pode realmente sentir esta tristeza e este vazio, não quero mesnoprezar tantas pessoas queridas que realmente se preocupam connosco e que sentem tristeza com a nossa infelicidade, dou-lhes muito valor e agradeço-lhes do fundo do meu coração. Por vezes tenho vontade de dizer a quem me diz para relaxar, a quem me diz que a culpa é minha pois ando ansiosa demais, a quem me diz para adoptar, a quem me diz que que o mundo não vai acabar: cala-te, não te quero ouvir... tantas palavras, quando para me fazer feliz bastava uma: mamã!
Muita felicidade para todas.Beijinhos.

4:58 da tarde, fevereiro 13, 2006  
Blogger Repórter Oink said...

Só vos quero enviar um grande abraço e muita força na vossa luta.

A cegonha anda perdida, mas há-de encontrar-vos. Não desistam!

9:13 da tarde, fevereiro 13, 2006  
Blogger A Loja do mestre Andre said...

Olá meninas!
Só para dizer que já assinei a V/ petiçao e assino as que foram necessarias!
Temos que lutar contra esta injustiça e o tabu em que vivemos neste país não é?

Beijos e muitas felicidades

3:39 da tarde, fevereiro 14, 2006  
Anonymous Leonor alves said...

Olá, sou a Leonor Alves, trabalho na RTP no sector de pesquisa, e na sequência do trabalho da revista do Expresso, gostariamos de contactar alguém que tenha subscrito a petição e que nos possa dar mais dados ou eventualmente participar numa reportagem para o Telejornal, dando assim viva voz aos vossos argumentos. Gostaria também de saber qual a data de entrega na AR.Para tudo isto deixo o meu contacto da RTP: 21-797.72.17 ou e-mail: leonor.alves@rtp.pt

Agradeço a vossa atenção solicitando a vossa resposta o mais breve possível e desejo-vos as maiores felicidades.

7:00 da tarde, fevereiro 14, 2006  
Blogger HOPE said...

Já assinei a petição e tb quero ir ao mega encontro. Onde me inscrevo??
Beijinhos ;)

11:31 da tarde, fevereiro 14, 2006  
Blogger IC said...

O meu nome é Inês, tenho 34 anos e sofro de infertilidade.
Desde 2000 que tento ter um bebé, a minha história é igual a tantas outras, Depois de 3 anos casada, eu e o meu marido achamos que era uma boa altura para sermos pais, durante aproximadamente uma ano todos os meses esperamos que tivesse sido esse o mês, mas não era, começamos então a caminhada das consultas, 1º na ginecologista que me seguia, que me mandou fazer alguns exames, medir temperaturas e tomar dufine, depois uma médica especialista em infertilidade, é curiosos que até fazer um ano todos me diziam que eu estava a exagerar, que não tínhamos problema nenhum, que era normal, mas eu sabia que não era normal, caramba normal é engravidar se tivemos relações sexuais sem contraceptivos, mas enfim fui esperando e tentando acreditar que não havia nenhum problema, todos tinham uma história para contar que invariavelmente acabava bem, por isso foi calando a minha tristeza e frustração e fui fazendo os tratamentos.
Só que a realidade era outra, depois de algumas análises a minha médica descobriu o problema, disse-me ela, nunca acho importante dizer-me a mim qual era. E eu feita tonta acreditei que se ela sabia, tudo se ia resolver, fiz então várias estimulações (4), medicamentos muito caros, muitas manhãs a fazer as analises, à tarde horas para a eco e pelas 20h, lá vinha a enfermeira dizer qual a dosagem das injecções no dia seguinte, nunca me senti tão mal, sentia uma tristeza profunda, achava que aquilo não estava a resultar, muitas vezes estava a dar a injecção a mim própria a chorar, agora não tenho pena de mim própria mas na altura tinha, chorava de frustração, de tristeza de raiva e especialmente estava a gritar por socorro, já não aguentava mais, emagreci muito, entrei em depressão, não aguentava a pressão no trabalho e os olhares fulminantes quando dizia que tinha que sair para mais uma consulte, eco, etc..
Os tratamentos ficavam muitos caros, era a consulta 16 cts na altura, as ecos a 1ª do ciclo 12 cts e a 2ª 6sts, mais as injecções e as seringas, era um desgaste terrível, a todos os níveis, a minha vida sexual mudou radicalmente, hoje tinha que fazer sexo, amanhã não, isto posso tomar isto não posso, não vou de fim de semana por causa dos tratamentos, qual é o dia do ciclo?, enfim deixei de ser um ser humano para passar a tentar fazer o meu corpo funcionar de forma mecânica.
Desisti, decidi que durante uns tempos ia esquecer os tratamentos e acreditei que ia engravidar. Nunca soube qual era o meu problema, por isso era natural que fosse culpa minha, era esta ansiedade que impedia o meu marido de ser pai e eu de ser mãe, no entanto era um pouco tarde, eu estava doente, a minha relação com o meu marido estava mal, interiormente culpávamo-nos um ao outro, eu queria desistir ela achava que devíamos tentar mais uma vez. Eu sentia a falta do dinheiro para outras coisas, ele aparentemente não.
Perdi o emprego, mudei de medica, tinha um quisto num dos ovários que tinha que ser retirado, fiz uma laparoscopia, um mês depois de ter ido à 1º consulta, a médica nunca fez comentários sobre os tratamentos da outra médica, eu é que achei muito estranho como é que fazia várias ecos por mês e nunca viram um quisto por cima do ovário direito maior que o ovário, mas enfim eles é que são médicos! Diagnóstico Endometriose. Fiz 2 FIVs, nenhuma resultou, na primeira o óvulo não foi fertilizado, na segunda tive que interromper o tratamento porque os ovários não respondiam à estimulação, desisti mais uma vez, tinha esgotado a minha reserva emocional para estas perdas de “nada” e tinha também esgotado as nossas finanças. A operação foi muito cara 800 cts e cada FIV ficava em 500cts.
Em Agosto de 2005 fiz nova tentativa, ia tentar uma ICSI nos hospitais de Coimbra, mas afinal não posso fazer, os meus valores de FSL são muito elevados, o meu processo não pode ser aceite, os valores revelam que será muito difícil estimularem os meus ovários de forma a produzirem ovulos em nº suficiente.
O meu marido continua a achar que devo repetir a analise até o valor baixar, eu não, não quero voltar a criar expectativas e depois ter que gerir mais uma perda de “nada”, porque é assim que me sinto, embora seja incapaz de gerar um filho todos os meses num cantinho muito secreto de mim engravido, sonho como e quando vou dar a noticia ao marido e a alegria dele, por isso todos os meses sinto que foi mais uma oportunidade de gerar um filho que perdi.
Calo estes sentimentos, engulo e até as minhas lágrimas são secas, eu gostava de falar abertamente neste assunto, mas não encontro com quem, ninguém compreende esta dor mensal, esta frustração e raiva, penso que a minha família prefere não tocar no assunto porque pensa que me magoa falar no assunto, mas a verdade é que me dói mais não falar, por vezes sinto que ninguém dá a importância devida a este problema, por isso é que eu acho muito importante a infertilidade ser considerado um problema de saúde publica, quantos casais baixam a sua produtividade e necessitam de pagamento de baixas por causa das consequências desta doença? O que será necessário fazer para as pessoas deixarem de considerarem egoísmo e teimosia a tentativa dos casais realizarem o sonho de poderem conceber um filho? Até quando esta atitude do governo de abandonar à sua sorte as pessoas com este problema que não podem ser assistidas nos serviços públicos? Quantas pessoas vão enriquecer à custa do desespero das pessoas, quem garante que as clínicas fazem sempre um bom trabalho? Quem protege as pacientes de pessoas sem escrúpulos? Que doença será necessário todas nós padecer para podermos ser tratadas e acompanhadas nos serviços públicos?
São muitas perguntas que eu ao longo de 6 anos nunca encontrei resposta, “coragem” Dizem-me, “podia ser pior” “isso não é nenhum drama”, “quando menos esperares vais conseguir” etc…, são frases que me magoam, sinto que aquilo que as pessoas querem ouvir é está tudo bem, sinto-me lindamente, mas não está nada bem, todos os meses sinto dores muito fortes, de vez em quando lá aparece mais um quisto, a endometriose não pára e as consequências também não, esquece pense em outra coisa, como? Quando estou a fazer algum tratamento como é possível esquecer? Se não estou é impossível pensar que mais um mês se passou e o meu desejo não se concretizou. Preciso de fechar o livro, esquecer este projecto e começar a dedicar-me a outro, mas este não é um projecto só meu, era um projecto a dois, o meu marido não gosta de falar no assunto, mas eu sei que ele ainda não desistiu, eu sei que ele acredita que ainda vai ser pai um dia, por isso não posso fechar o livro, não é um livro só meu.
Praticamente todos os dias vou ao fórum, leio as historias das minhas companheiras de luta, fico contente com os sucessos e triste com os insucessos, leio nas entrelinhas os mesmos sentimentos, as mesmas duvidas e as mesmas frustrações, invejo a coragem e a teimosia de algumas, compreendo baixar de braços de outras, só lamento o não poder fazer nada, e temo que algumas delas saiam muito magoadas desta luta, a nossa capacidade de sonhar e de acreditar vai se perdendo com as desilusões e os baldes de água fria de cada tentativa falhada, mas este é um caminho que cada um tem que percorrer.
O tema adopção já é um cliché, a mim muitos me dizem “mas em vez de andares a gastar dinheiro porque é que não adoptas”? Porque não é a minha resposta, não está fora de questão mas o meu marido gostava muito de ser pai e eu de ser mãe, de sentir o bebé crescer dentro de mim etc.. além disso acho terrível as pessoas em geral acharem que só os casais inférteis é que devem adoptar, porquê? Vai se resolver 2 problemas é? Os abandonados com os inférteis? Não concordo, eu sempre achei que gostaria muito de adoptar uma criança, muito antes de saber se podia ou não gerar filhos. Não está fora de questão mas antes gostava de esgotar as minhas possibilidades de gerar um filhote.

2:47 da tarde, fevereiro 15, 2006  
Blogger IC said...

Eu postei o post anterior porque o queria fazer no fórum mas não consigo lá colocar nada, isto é a minha historia e escrevi este texto com o intuito de vos perguntar se consideram este contributo valido para a reportagem da RTP, não posso contribuir muito mais porque o marido não acha piada nenhuma a essas coisas mas pelo menos com a minha historia...
Beijinhos e desculpem o espaço que ocupei.

2:50 da tarde, fevereiro 15, 2006  
Anonymous Anónimo said...

ic,

Acho que a tua história deve ser divulgada, é uma história muito difícil e quem tem o poder tem que saber o que as pessoas sofrem por não terem oportunidade de se tratarem num hospital público.

Envia o mail com esta história p/ a RTP e p/ a jornalista do Correio da Manhã.

Bjs
Filipa_pi_1@hotmail.com
quando quiseres falar já tens o meu contacto

3:39 da tarde, fevereiro 15, 2006  
Blogger Musa said...

ic,
Amiga, a tua história e o teu testemunho seriam um grande contributo... Concordo com a Pi, envia-o tal e qual para a jornalista...
Beijinhos
Musa

4:31 da tarde, fevereiro 15, 2006  
Anonymous Anónimo said...

Amigas o email já foi, vou dando novidades, logo que as tenha, lol!
beijinhos
ic

5:02 da tarde, fevereiro 15, 2006  
Blogger Bem Me Queres said...

IC, força amiga, o teu contributo será importantíssimo.
Beijinhos doces e boa sorte
Cláudia

12:22 da manhã, fevereiro 16, 2006  
Anonymous Anónimo said...

IC,

Achei a tua história muito comovente. Acho que todas nós ao lermos o teu testemunho nos identificámos com a tua história. Nunca abandones este projecto enquanto puderes. Nós temos o direito de sentir a nossa estrelinha crescer dentro da nossa barriga e de ter algo que pertence aos dois como casal.

Beijocas

Suzana (Zanita)

10:31 da manhã, fevereiro 17, 2006  
Anonymous amor@ said...

IC,
gostei imenso da tua história, contada eloquentemente na 1ª pessoa e reflexo dos sentimentos e emoções de todas nós. Acho que fizeste mto bem em mandá-la para a comunicação social pois será concerteza enriquecedora para a reportagem que possam fazer.
Desejo-te as maiores felicidades.
Se quiseres podes contactar-me: ritinhals@hotmail.com A razão da minha infertilidade é igual à tua.
beijos

11:57 da manhã, fevereiro 17, 2006  
Blogger IC said...

Queria só dizer que ontem fui contactada pela Leonor Alves, disse-lhe que não poderia dar a cara e como era isso que ela pretendia ficou de falar com outras pessoas.

10:32 da manhã, fevereiro 22, 2006  

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