terça-feira, março 21, 2006

REPORTAGEM DO JORNAL DESTAK

PORTUGAL MARCA PASSO A TRATAR INFERTILIDADE

Só 27% das inseminações artificiais em Portugal são bem sucedidas. A média só não é superior por «falta de vontade política», diz especialista. Dos 16 centros privados, apenas um tem certificado europeu, com uma taxa de sucesso de 40%.

TAXAS DE SUCESSO MUITO BAIXAS EM TRATAMENTOS DE INFERTILIDADE

Procriação. Em Portugal, dos 16 centros privados de reprodução, só um tem certificação europeia. Os resultados da maioria são «muito baixos», mas falta vontade política para melhorar a situação, diz especialista.

Cerca de 27% das inseminações artificiais em Portugal resultam numa gravidez de sucesso. Esta é a média nacional, mas «a grande parte dos centros públicos e privados têm taxas de sucesso muito baixas, que não vão além dos 12 a 14%», garante Mário Sousa. Um dos mais reconhecidos especialistas nacionais em procriação medicamente assistida adianta ao Destak que «seria possível melhorar bastante estes resultados», mas «deve ficar tudo na mesma». Isto porque a legislação que está actualmente a ser discutida na Assembleia da República não promove a alteração do estado de coisas, defende Mário Sousa.
«A Alta Autoridade para a Reprodução e Embriologia Humana não devia ser uma mini comissão ética, mas sim uma entidade com poderes executivos para fiscalizar a qualidade dos tratamentos», avança o médico, acrescentando: «isso não será feito porque as pessoas têm medo. Muitos serviços privados e públicos teriam de mudar as instalações ou fechar as portas.» O pouco controlo é reflectido internacionalmente.
Entre os 11 centros privados de procriação existentes em Lisboa, 4 no Porto e 1 em Coimbra, apenas o Centro de Genética e Reprodução Alberto Barros, na Invicta, tem certificação europeia, garante Mário Sousa, explicando: «desde que esse centro efectuou as modificações necessárias para conseguir essa certificação, a sua taxa de sucesso quase duplicou, passando para 40%».

«SEGURADORAS DEVIAM PAGAR»

«Portugal precisa de adoptar um modelo de financiamento mais justo», sustenta Mário Sousa, uma vez que «muita gente continua sem ser tratada» e 15% dos casais portugueses sofrem de infertilidade.
Para isso, «as seguradoras deviam ser obrigadas a comparticipar em 80% os primeiros quatro tratamentos, como já acontece em França», mas a nova lei não prevê esta possibilidade.

ESTUDO CIENTÍFICO REFORÇADO

Várias universidades de oito países formaram recentemente uma base de dados com informação genética. O objectivo é melhorar a qualidade da investigação nesta área,de forma a potenciar a
taxa de sucesso dos tratamentos de fertilidade, que ronda os 25%. Portugal não integra esta rede, mas pertence à maior associação europeia de procriação, que analisa os resultados de todos os países da União Europeia.